segunda-feira, 19 de março de 2012

Euller: Minas, Mercadante, piso e pré-sal

DOMINGO, 18 DE MARÇO DE 2012

Como Minas vai provar para Mercadante que já paga mais que o piso, até a chegada do pré-sal



Como Minas vai provar para Mercadante que já paga mais que o piso, até a chegada do pré-sal

Em breve, como tem sido noticiado, acontecerá a importante reunião entre o novo ministro do MEC, Mercadante, e os/as representantes das secretarias estaduais e municipais da Educação. No fundo é uma reunião meio quadrilhesca, já que todos ali, ou quase todos, são cúmplices na prática ilegal e imoral de não estarem cumprindo a Lei do Piso. Mas vão se reunir justamente para discutir o cumprimento da Lei do Piso, que eles não cumprem, mas dizem que cumprem. Se já cumprem, não haveria nem o que se discutir.

Logo, a primeira coisa que deveriam dizer, se fossem pessoas sérias, era isso:

- Caros colegas, devemos reconhecer que não estamos cumprindo a lei federal, que não pagamos o piso, não aplicamos o terço de tempo extraclasse, que não cumprimos os artigos da lei 11.738/2008. Então devemos pedir desculpas aos profissionais da Educação, aos alunos e aos pais de alunos e a toda a população brasileira, pelo mal que fizemos. E devemos, a partir de hoje, cumprir a lei, aplicando-a na carreira que existia (no caso de Minas e de outros estados) e que nós a destruímos para burlar a lei.

Contudo, esperar essa elevada atitude moral dos governantes é mais ou menos como esperar que os deputados abram mão dos seus salários, por pelo menos uns três meses, em prol de alguma causa social. Sejamos então mais realistas e imaginemos como será o diálogo entre os responsáveis pela política educacional do país.

O ministro do MEC pede a palavra e diz:

- Senhoras e senhores, venho aqui em nome da presidenta da República trazer uma mensagem de esperança e de otimismo para com o futuro da Educação no Brasil. Trata-se de uma prioridade do Governo Federal investir cada vez mais e melhor na Educação e na valorização dos profissionais da Educação. Nosso governo planeja reservar uma robusta parte do pré-sal para garantir o financiamento do piso (aplausos acalorados acontecem).

Em seguida, empolgada, pede a palavra a representante do governo de Minas Gerais:

- Senhor Ministro, fiquei encantada com a sua fala. Quero dar o meu testemunho de que em Minas Gerais o governo vem realizando o máximo possível em favor da Educação. Cumprimos até mais do que manda a Lei do piso. Até ontem, pagávamos 85% a mais do que manda a lei. Com o reajuste do piso de 22% para 2012, ainda estamos pagando 51,62% a mais do que o piso. Acreditamos que os professores de Minas, com esta supervalorização, nem precisam esperar pelo aporte extra do pré-sal.

Neste instante, o representante do governo do Pará pede a palavra:

- Prezados, tenho inveja do governo de Minas, que paga o piso com folga, pois afinal é um estado rico. Nós, do Pará, que somos um estado com receitas bem inferiores, estamos penando para conseguir pagar o mínimo necessário exigido pela lei, que é R$ 1.451,00 para o profissional com ensino médio. Nossos professores, com este salário básico de R$ 1.451,00, passarão a receber, como remuneração total, um vencimento próximo de R$ 3.500,00 para quem está em início de carreira. Que inveja nós temos de Minas Gerais, que pagava 85% a mais e agora paga 52% a mais!

Imediatamente, o representante de São Paulo, na guerra de poder existente com o de Minas - pois os caciques dos dois estados sonham com a presidência da República -, dá uma de bobo e espeta:

- De fato, prezados, eu também estou admirado com o desempenho de Minas Gerais nesse campo particular da Educação. Gostaria que a representante deste estado nos dissesse exatamente qual é o salário inicial de um professor em Minas Gerais.

Todas as atenções se voltam para a representante de Minas, que inicia a sua fala com pequenos e proverbiais rodeios:

- Bom, pessoal, o nosso esforço tem sido muito grande, também. Criamos uma nova fórmula no estado que resultou numa remuneração única, mais transparente aos olhos da população. Antigamente, os professores tinham grande dificuldade em calcular seus vencimentos, pois havia vários penduricalhos que atrapalhavam essa compreensão. Uma coisa muito incômoda. Agora não, os contracheques vêm enxutos, com duas linhas apenas, e com valores expressivos, que dá até vontade de voltar a lecionar.

A representante de Minas ia mudar de assunto, mas o de São Paulo insistiu:

- Mas, afinal, quanto é que ganha um professor em Minas Gerais?

- Ah, já ia me esquecendo - disse. Em Minas Gerais pagamos 52% a mais do que manda a lei do piso. Um professor em início de carreira recebe, para uma jornada de 24 horas, o equivalente a R$ 2.200,00 caso tivesse uma jornada de 40 horas.

Nisso o ministro Mercadante, que teoricamente é um economista, e que assistia ao debate sem grande entusiasmo, pediu que a representante de Minas esclarecesse melhor as coisas.

- Afinal, vocês pagam R$ 2.200,00 para a jornada de 24 horas de vencimento básico, ou isso é o salário total.

A representante de Minas desconversou, claro.

- Não, nós pagamos 52% a mais do que o valor proporcional ao piso de R$ 1.451,00.

O representante do Pará, meio irritado, tomou novamente a palavra e insistiu:

- Senhora representante de Minas Gerais, eu estava aqui morrendo de inveja do seu estado e querendo me inscrever para o próximo concurso público de professores em Minas, já que nós planejamos pagar apenas o piso de R$ 1.451,00, e com isso, somando-se às gratificações, o salário dos professores do Pará vai subir para R$ 3.500,00. Agora a senhora disse que paga R$ 2.200,00, o que já me deixou desiludido com a minha pretensão inicial de me mudar para Minas. Mas, acabo de receber um torpedo via celular, de uma professora do seu estado, que diz que o salário bruto dela, que tem curso superior e mais de 10 anos de estado, é de apenas R$ 1.320,00. Isso procede, sra. representante?

A sala ficou um silêncio total. E a representante do governo de Minas tomou um gole d'água e tentou explicar:

- Olha, o valor de R$ 1.320,00 é o salário inicial, entendeu? Ou seja, é para quem está iniciando na carreira agora, hoje, entendeu? E assim mesmo para uma jornada de 24 horas, o que consideramos seja um valor muito atraente e satisfatório. Sem falar que em abril próximo vamos dar mais 5% de reajuste!

Neste instante, os representantes do Rio, Goiás, Ceará, Bahia e Rio Grande do Sul pedem a palavra e tentam salvar a representante de Minas:

- Parabéns ao governo de Minas, disse o representante do Rio de Janeiro. Nós ainda pagamos um pouco menos do que vocês, mas vamos chegar lá.

- Faço minhas as suas palavras, disse o representante do Rio Grande do Sul, seguido, no mesmo tom, pelos do Ceará, de Goiás e da Bahia.

O ministro Mercadante se dá conta de que Minas se torna o melhor exemplo de cumprimento da lei do piso, já que, pagando apenas R$ 1.320,00 de salário total, o equivalente a dois salários mínimos, paga até 52% a mais do que o piso; e pede à representante do estado que detalhe para os demais colegas como conseguiu essa proeza.

- É simples, senhor ministro e demais colegas. O que eu vou dizer aqui é em off, está certo? Peço-lhes que não revelem para a imprensa, mesmo sabendo que ela é nossa aliada. Enquanto alguns governos entraram na justiça com aquela ADI 4167 pedindo para pagar o piso como remuneração total, nós, lá em Minas, que trabalhamos em silêncio, simplesmente aplicamos o princípio da remuneração total de forma diferente. Para isso, somamos o vencimento básico existente com as gratificações e aplicamos pequeno reajuste, resultando num valor total maior do que o valor proporcional do piso nacional. Entenderam?

O representante do Pará, ingênuo, perguntou:

- Mas pode fazer assim? O STF não determinou que piso é vencimento básico e que é proibido pagá-lo enquanto remuneração total, que era o que os governadores pediam na ADI 4167?

E a representante de Minas explicou:

- Vocês entendem as coisas muito ao pé da letra. Lá em Minas as coisas são diferentes. O STF disse que não podia somar vencimento com gratificações para atingir o valor do piso. Então o que nós fizemos? Acabamos com o vencimento básico e com as gratificações, e criamos uma outra forma de remuneração, o subsídio, entendeu? O valor deste novo modelo é, nominalmente, praticamente igual à soma do vencimento básico com as gratificações, mas a forma como ele se manifesta é diferente, e como ninguém questionou isso na justiça até agora, tá valendo.

Neste instante, o ministro Mercadante, atento ao interessante debate, pegou o celular, ligou para a presidenta Dilma, e disse:

- Presidenta, cancela o projeto do pré-sal que reserva mais verba para a Educação para daqui a 30 anos. Minas acaba de apresentar aqui e agora a melhor solução: como manter o mesmo com a aparência de mais. E nem será preciso esperar 30 anos. Já temos a fórmula pronta para salvar as prefeituras e os governos estaduais.

Diante da descoberta, o governo do Pará já pensa em congelar os salários até a chegada do pré-sal, no mesmo ritmo de Minas. Todos os outros estados se mostraram satisfeitíssimos com o desfecho da produtiva reunião e escolheram a representante de Minas para falar com a imprensa em nome de todos. O ministro do MEC retomou seu discurso sobre a distribuição de tablets, já que a questão salarial estaria resolvida para todo o sempre. E todos saíram dali felizes, diretamente para uma churrascaria, para um suculento rodízio, obviamente bancado com verbas da Educação.

E assim caminha o presente e o futuro das gerações de crianças, jovens e adultos do Brasil, que dependem de uma Educação pública de qualidade. Teriam antes que mudar a qualidade dos políticos que se dizem representantes do povo. Ou simplesmente abolir a representação e instalar uma forma direta de autogestão daquilo que os trabalhadores assalariados produzem. Pois se depender dessa elite brasileira, de diferentes cores partidárias, para valorizar os educadores, como meio essencial para se cumprir a constituição e oferecer ensino de qualidade para todos, estamos perdidos.

Um forte abraço a todos e força na luta! Até a nossa vitória!

***

domingo, 18 de março de 2012

Chico Buarque cheio de amor em plena idade feliz!

O namoro do Chico Buarque com a cantora ruiva Thais Gulin rendeu para nós este lindo blues ESSA PEQUENA, cuja letra vai aí abaixo. Mas rendeu também a interessante crônica UM TEMPO SEM NOME da escritora Rosiska Darcy de Oliveira sobre “o novo conceito de envelhecer”. Também segue abaixo.

Essa Pequena

Chico Buarque

Meu tempo é curto, o tempo dela sobra

Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora

Temo que não dure muito a nossa novela, mas

Eu sou tão feliz com ela

Meu dia voa e ela não acorda

Vou até a esquina, ela quer ir para a Flórida

Acho que nem sei direito o que é que ela fala, mas

Não canso de contemplá-la

Feito avarento, conto os meus minutos

Cada segundo que se esvai

Cuidando dela, que anda noutro mundo

Ela que esbanja suas horas ao vento, ai

Às vezes ela pinta a boca e sai

Fique à vontade, eu digo, take your time

Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas

O blues já valeu a pena

Um tempo sem nome

Rosiska Darcy de Oliveira, O Globo, 21/01/12

Com seu cabelo cinza, rugas novas e os mesmos olhos verdes, cantando madrigais para a moça do cabelo cor de abóbora, Chico Buarque de Holanda vai bater de frente com as patrulhas do senso comum. Elas torcem o nariz para mais essa audácia do trovador. O casal cinza e cor de abóbora segue seu caminho e tomara que ele continue cantando “eu sou tão feliz com ela” sem encontrar resposta ao “que será que dá dentro da gente que não devia”.

Afinal, é o olhar estrangeiro que nos faz estrangeiros a nós mesmos e cria os interditos que balizam o que supostamente é ou deixa de ser adequado a uma faixa etária. O olhar alheio é mais cruel que a decadência das formas. É ele que mina a autoimagem, que nos constitui como velhos, desconhece e, de certa forma, proíbe a verdade de um corpo sujeito à impiedade dos anos sem que envelheça o alumbramento diante da vida .

Proust, que de gente entendia como ninguém, descreve o envelhecer como o mais abstrato dos sentimentos humanos. O príncipe Fabrizio Salinas, o Leopardo criado por Tommasi di Lampedusa, não ouvia o barulho dos grãos de areia que escorrem na ampulheta. Não fora o entorno e seus espelhos, netos que nascem, amigos que morrem, não fosse o tempo “um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho“, segundo Caetano, quem, por si mesmo, se perceberia envelhecer? Morreríamos nos acreditando jovens como sempre fomos.

A vida sobrepõe uma série de experiências que não se anulam, ao contrário, se mesclam e compõem uma identidade. O idoso não anula dentro de si a criança e o adolescente, todos reais e atuais, fantasmas saudosos de um corpo que os acolhia, hoje inquilinos de uma pele em que não se reconhecem. E, se é verdade que o envelhecer é um fato e uma foto, é também verdade que quem não se reconhece na foto, se reconhece na memória e no frescor das emoções que persistem. É assim que, vulcânica, a adolescência pode brotar em um homem ou uma mulher de meia-idade, fazendo projetos que mal cabem em uma vida inteira.

Essa doce liberdade de se reinventar a cada dia poderia prescindir do esforço patético de camuflar com cirurgias e botoxes — obras na casa demolida — a inexorável escultura do tempo. O medo pânico de envelhecer, que fez da cirurgia estética um próspero campo da medicina e de uma vendedora de cosméticos a mulher mais rica do mundo, se explica justamente pela depreciação cultural e social que o avançar na idade provoca.

Ninguém quer parecer idoso, já que ser idoso está associado a uma sequência de perdas que começam com a da beleza e a da saúde. Verdadeira até então, essa depreciação vai sendo desmentida por uma saudável evolução das mentalidades: a velhice não é mais o que era antes. Nem é mais quando era antes. Os dois ritos de passagem que a anunciavam, o fim do trabalho e da libido, estão, ambos, perdendo autoridade. Quem se aposenta continua a viver em um mundo irreconhecível que propõe novos interesses e atividades. A curiosidade se aguça na medida em que se é desafiado por bem mais que o tradicional choque de gerações com seus conflitos e desentendimentos. Uma verdadeira mudança de era nos leva de roldão, oferecendo-nos ao mesmo tempo o privilégio e o susto de dela participar.

A libido, seja por uma maior liberalização dos costumes, seja por progressos da medicina, reclama seus direitos na terceira idade com uma naturalidade que em outros tempos já foi chamada de despudor. Esmaece a fronteira entre as fases da vida. É o conceito de velhice que envelhece. Envelhecer como sinônimo de decadência deixou de ser uma profecia que se autorrealiza. Sem, no entanto, impedir a lucidez sobre o desfecho.

”Meu tempo é curto e o tempo dela sobra”, lamenta-se o trovador, que não ignora a traição que nosso corpo nos reserva. Nosso melhor amigo, que conhecemos melhor que nossa própria alma, companheiro dos maiores prazeres, um dia nos trairá, adverte o imperador Adriano em suas memórias escritas por Marguerite Yourcenar.

Todos os corpos são traidores. Essa traição, incontornável, que não é segredo para ninguém, não justifica transformar nossos dias em sala de espera, espectadores conformados e passivos da degradação das células e dos projetos de futuro, aguardando o dia da traição. Chico, à beira dos setenta anos, criando com brilho, ora literatura , ora música, cantando um novo amor, é a quintessência desse fenômeno, um tempo da vida que não se parece em nada com o que um dia se chamou de velhice. Esse tempo ainda não encontrou seu nome. Por enquanto podemos chamá-lo apenas de vida.

ROSISKA DARCY DE OLIVEIRA é

quinta-feira, 15 de março de 2012

EULLER:"A nossa categoria vai renascer para novas conquistas... Apesar das aparências."

QUINTA-FEIRA, 15 DE MARÇO DE 2012

A nossa categoria vai renascer para novas conquistas... Apesar das aparências


A nossa categoria vai renascer para novas conquistas... Apesar das aparências


Se alguém tirasse um retrato do cenário atual dos educadores de Minas Gerais poderia pensar que a categoria está fragilizada, desunida, desencantada com a profissão, com o presente e com o futuro. A expressão desta aparência momentânea não deve ser medida pela baixa adesão à greve de três dias, que, como dissemos aqui, já era previsto. Saímos de umconfronto de 112 dias contra a poderosa máquina do estado, envolvendo todos os poderes, que se uniram para nos massacrar. Esperar que em tão pouco tempo, com as perdas que tivemos - materiais e emocionais - a categoria se levantaria em massa para aderir a esta paralisação de três dias, apenas, é algo um pouco fora da realidade, pelo menos da de Minas Gerais. Teria sido mais sensato declarar que este não é o melhor momento para realizarmos uma nova paralisação e convocar a categoria para atividades de protesto, sem pressioná-la para que ela aderisse à paralisação convocada pela entidade que se omitiu durante a nossa greve de 112 dias.

Por isso, não considero que a baixa adesão a este movimento reflita a real disposição de luta e combatividade da nossa categoria. Quem apostou no tudo ou nada em relação a esta paralisação precisa repensar a forma de agir e de interagir com o movimento dos educadores.

A nossa principal luta foi travada no ano passado, com a greve de 112 dias, ainda no início do novo governo - com o forte apoio do NDG. Era inevitável travar aquela luta, se não quiséssemos pelo menos tentar conquistar e manter nossos direitos, que estavam - e foram - sonegados. Infelizmente, dadas às condições que conhecemos - a força da máquina do estado, somada à baixa organização e unidade da categoria, entre outros fatores, - fomos derrotados nos nossos objetivos, embora tenhamos dado prova da nossa combatividade e da nossa capacidade de resistência.

Mas tivemos muitas perdas materiais e emocionais. Perdemos o piso, a carreira, tivemos nossos salários reduzidos, a reposição ainda não foi paga, o governo alterou a forma de escolha de turmas sem consultar a categoria, etc. Tem havido, na sequência, práticas que não deveriam existir, como a pressão psicológica de algumas inspetoras sobre os profissionais da Educação nas escolas; a proibição de que os professores possam lanchar e tomar café em algumas escolas; a não contratação de professores; a superlotação em algumas unidades educacionais, a volta das turmas multiseriadas no ensino regular, etc. São práticas que denotam um governo pouco preocupado com a Educação pública, e menos ainda com as realidades dos profissionais da Educação. O governo continua tratando os educadores com descaso, não dialogando seriamente, não ouvindo as críticas, e apostando na divisão da categoria.

É um jogo perigoso por parte do governo, porque seguramente não será possível manter a panela sob essa forte pressão o tempo todo. Em algum momento, ela vai explodir, caso o governo não crie mecanismos sérios de diálogo com a categoria. Como e quando ocorrerá essa explosão? É impossível prever, mas é certo que a categoria dos educadores não aceitará eternamente este processo de pressão.

E isso coloca para a categoria o desafio de repensar o movimento. Se de um lado estamos diante de governos - estadual, federal - com baixa sensibilidade para com a Educação, de outro, estamos com problemas internos, na categoria, para nos organizar, nos unir, nos preparar para travar o bom combate contra os governos.

É preciso retomar a confiança em nós mesmos, na nossa capacidade de resistir, de nos organizar e lutar, de forma criativa. Mas, isso não se faz repetindo os erros do passado recente. A estratégia da direção sindical é a de realizar atividades meioespetaculosas, tipo congresso ou paralisações-relâmpago. Nesta forma de agir, tenta-se provar que a categoria está viva. Mas é preciso ter cuidado para não se provar o inverso, ainda que seja só na aparência.

A nossa categoria precisa retomar o trabalho de base, nas escolas, nos recreios - como bem lembrou a nossa combativa colega Marly Gribel em um dos seus textos - e realizar um trabalho mais intenso com a comunidade. A nossa mais poderosa arma será a adesão da comunidade escolar à nossa causa. Envolver os alunos, os pais de alunos, os moradores da região da escola, para este debate sobre o papel da Educação pública, a necessidade de uma política de valorização dos educadores como parte integrante de um ensino de qualidade, e o descaso dos governos para com a população pobre.

A nossa categoria não pode ser vista como um grupo corporativo, isolado da sociedade, que só pensa nos próprios interesses; é preciso que a comunidade nos veja como portadores de uma causa, de uma luta que é para o bem de todos, inclusive como parte da luta de toda a população pobre, que reivindica moradia, saúde pública, saneamento, transporte público de qualidade, etc.

Precisamos discutir e envolver a comunidade, mostrando-lhe o quanto a nossa luta não é apenas por um salário mais justo - mesmo sendo esta luta legítima - mas, que é parte da busca por uma escola pública que ofereça o melhor para os filhos da população de baixa renda, como principal porta de saída da situação de exploração, ou de miséria, ou de exclusão social.

Acredito que este trabalho se realize no cotidiano, diante das realidades de cada escola, e da discussão coletiva que podemos estabelecer, impulsionada pelas redes sociais da Internet. Mais importante, hoje, do que fazer uma paralisação apressada, com baixa adesão, é conseguir dialogar com a categoria. Sem imposição, sem personalismos, sem hierarquias, até.Um diálogo horizontal, verdadeiro, no qual todas as vozes que queiram participar assumam o seu protagonismo, construindo umaproposta comum, que se torne o nosso programa comum de luta.

A nossa categoria tem um número muito grande de lideranças que podem contribuir com este diálogo. Inclusive as pessoas que estão fora da categoria, pessoas da comunidade, podem contribuir com o debate, já que precisaremos de todos para essa luta.

Já imaginaram, por exemplo, os 190 mil professores discutindo, num mesmo dia, um mesmo texto com os 3 milhões de alunos? Ou os 2 milhões de professores em todo o Brasil? Já imaginaram a força que tal prática provocaria? Tudo em sala de aula, no horário sagrado para o professor e para o aluno, no espaço onde outros sujeitos não podem intervir, a menos que queiram colocar um vigia em cada sala de aula.

Citei esse exemplo apenas de forma ilustrativa, para mostrar o quanto podemos lançar mão de mecanismos criativos para discutir a nossa realidade e buscar soluções coletivas. Nada que venha de cima para baixo, num passe de mágica. Não será o Blog do Euler, nem alguma entidade sindical ou partidária, ou algum ser alienígena quem dirá como e o quê devemos fazer. O importante é que a gente comece a discutir, a botar pra fora o que cada um pensa, até que essa discussão provoque um crescimento de qualidade na nossa compreensão das coisas.

Como consequência desse trabalho, pode ser que a categoria realize umagreve geral, estadual ou nacional, quefaça o chão de Minas e do Brasil tremer como nunca antes na história desse país (já ouvi isso em algum lugar, rsrs). Mas, como consequência, a médio prazo, e não como fim em si mesmo.

Além disso, é preciso repensar as nossas formas de luta e mobilização. Não se trata de negar a importância do papel da greve na nossa luta. Mas de não utilizá-la a toda hora, sem uma prévia organização e envolvimento da base da comunidade. Há outras formas de mobilização que podem conseguir resultados imediatos, sem que a categoria tenha que realizar uma greve. Um exemplo? Uma determinada superintendência manda cortar o café e o lanche dos professores. Que tal convocar os pais dos alunos para expor o problema? Explicar-lhes que o estado não paga vale-refeição, e que com o salário que recebemos, menor que o piso nacional, não dá para comprar lanche; e que os deputados, vereadores, e todos os demais da alta cúpula dos três poderes têm verbas de representação altíssimas para alimentação, enquanto os educadores não podem sequer tomar um café e lanchar nas escolas. Não duvido que alunos, pais de alunos, associações comunitárias, lideranças locais, além dos educadores, consigam organizar caravanas para pressionar o governo, seja diretamente na porta das superintendências, ou na Cidade Administrativa, o que não seria nada bom para a imagem do governo. A própria imprensa costuma abrir espaço para este tipo de protesto. Que poderia ocorrer também na Câmara de Vereadores, ou na porta do Ministério Público, por exemplo.

Na questão do nosso piso, estou convencido, como já disse aqui, que o governo federal precisa entrar em cena. Podemos e devemos entrar com ação na justiça, apresentar representação junto ao MPF, etc., mas, se desejarmos conquistar o piso na carreira num tempo mais curto, o caminho que me parece mais viável é o de pressionar o governo federal. A presidenta Dilma prometeu em campanha investir na valorização dos educadores; a maior fatia dos impostos arrecadados está nas mãos do governo federal. E uma pressão mais direta sobre o governo federal poderia forçá-lo ou a resolver a questão com afederalização da folha de pagamento dos educadores, ou a cobrar dos estados o cumprimento da lei do piso. O governo federal dispõe de poder de barganha e mecanismos para fazer essa cobrança. Só não o faz por uma questão de prioridade - ou de não prioridade da Educação. Com as bênçãos da CNTE e da CUT, que focam a cobrança do piso apenas nos estados e municípios, levando-nos à derrota.

Enfim, colegas de luta, eram essas as considerações, neste início de madrugada, que desejava trazer para a reflexão. Quero concluir dizendo o seguinte: de maneira alguma a nossa categoria está derrotada, tendo como recorte ou referência apenas essa paralisação de três dias. Somos um exército poderoso, um pouco adormecido e machucado, momentaneamente, mas que pode e deve se erguer, e marchar novamente, como em outros tempos, arrancando dos governos nossos direitos sonegados.

Um forte abraço a todos e força na luta! Até a nossa vitória!

***

ALZHEIMER E ÓLEO DE COCO: CURA?

Providencial!



ÓLEO DE COCO


ESQUEÇA TUDO O QUE VOCÊ JÁ LEU SOBRE DOENÇA DE

ALZHEIMER E PRESTE ATENÇÃO NESSA HISTÓRIA REAL

Dr. Wilson Rondó Jr
Medicina Preventiva Ortomolecular

Veja como uma médica conseguiu reverter, em aproximadamente um mês, a
doença de seu marido e inspire-se!
Só quem conhece alguém que sofre com a Doença de Alzheimer é capaz de
mensurar a dor que se sente ao perceber que aos poucos uma história
vai sendo apagada, sem deixar vestígios. E isso não se trata de uma
dor física, mas uma dor emocional, que toma conta da gente e nos deixa
impotentes diante de uma situação tão difícil.
Se fosse para resumir o que a Doença de Alzheimer representa,
poderíamos dizer que somente o corpo fica e a essência vai-se embora!
O importante nessa hora é não se entregar e acreditar que existe uma
solução!
Nem tudo está perdido. PRESTE MUITA ATENÇÃO NA HISTÓRIA DA DOUTORA
MARY NEWPORT E NÃO DEIXE, DE MANEIRA ALGUMA, A SUA ESPERANÇA ACABAR.
Doutora Mary Newport começou a perceber que algo de muito errado
acontecia com seu marido, Steve. Ele já não era mais aquela figura
rápida, de raciocínio apurado. De repente, Steve começou a apresentar
lapsos de memória para pequenas coisas e que não demorou muito para
atingir um grau bastante sério.
No desejo de descobrir o que acontecia e tentar curar o seu marido,
Dra. Mary procurou a ajuda de vários especialistas, mas não conseguiu
nenhum pequeno avanço que fosse. Steve passou por psiquiatras,
neurologistas e até chegou a ser diagnosticado com depressão. E mesmo
com toda a medicação prescrita sua situação só piorava.
Steve começou a perder suas referências, já não reconhecia seus
familiares, não mantinha diálogos coerentes. Sua vida foi se apagando.

Em uma das várias tentativas de resgatar o marido desse abandono
mental, Dra. Mary tentou incluir Steve em um estudo clínico, mas suas
condições não o qualificavam para isso. Para se ter uma idéia, em um
teste indicativo de demência Steve alcançou somente 14 dos 30 pontos
que o exame previa. Logo, seu teste genético para Alzheimer foi
positivo. Uma nova luta começava.
Ainda, meio sem saber para que lado ir e muito menos a quem recorrer,
Dra. Mary teve acesso ao Ketasyn, uma droga química que estava sendo
usada no estudo experimental para Alzheimer. O mesmo estudo para o
qual seu marido não pode participar. Essa medicação fazia com que 50%
das pessoas que a consumiam apresentassem uma melhora significativa.
Era tudo o que o casal precisava, pois até então a toda medicação que
Steve era submetido o resultado era sempre o mesmo: redução na
progressão da doença, mas nunca uma melhora importante!
E essa não foi a única, muito menos a última conquista de ambos. Ao
descobrir a composição deste medicamento, Dra. Mary teve uma grata
surpresa: o principal ingrediente do remédio eram triglicérides de
cadeia média (TCM), provenientes do óleo de coco.
Você pode estar se perguntando se a solução para a Doença de
Alzheimer pode ser assim tão simples. Dra. Mary também se questionou e
foi adiante. Decidiu que não tinha nada a perder e começou a dar óleo
de coco ao seu marido.
A primeira prova de que eles estavam no caminho certo foi evidente.
No mesmo teste onde Steve alcançou somente 14 pontos em 30, com o
tratamento a base de óleo de coco ele conseguiu progredir em 28%,
chegando a 18 pontos.
Digo sem medo de errar, a melhora de Steve se deve sim ao óleo de
coco.
O óleo de coco, assim como outros triglicérides de cadeia média (TCM)
aumenta a produção de componentes chamados de cetonas que por sua vez
são compostos criados quando a gordura do nosso corpo é quebrada em
energia.
Normalmente, as células cerebrais preferem extrair o seu combustível
da glicose, mas no caso do cérebro desregulado, as células cerebrais
que causam convulsões não podem metabolizar a glicose corretamente.
Elas precisam então de outra fonte de combustível, e essa fonte são as
cetonas.
Eu, particularmente, tenho trabalhado com meus pacientes que sofrem
com Alzheimer com uma dieta produtora de cetonas associada ao óleo de
coco rico em TCM, e os resultados são impressionantes.
Infelizmente, os estudos produzidos sobre a importância e os efeitos
das cetonas em nosso cérebro estão publicados em jornais obscuros que
a grande maioria dos médicos nem tomam conhecimento. O fato é que
esses estudos trazem dados importantíssimos que podem auxiliar em
diversos tratamentos, incluindo os tratamentos contra a Doença de
Alzheimer.
E se você quer saber mais, no caso de Steve, com um pouco mais de um
mês de tratamento com óleo de coco, ele já havia recuperado grande
parte das perdas causadas pela doença. Ainda sim, ele continuou a usar
o óleo de coco por 60 dias. Com isso, ele não apresentava mais
tremores, recuperou a memória e pode voltar às suas atividades físicas
e de trabalho de forma natural.
E a prova de que o óleo de coco é o responsável por essas vitórias se
dá pelo fato de que quando Steve não tomou o óleo de coco em algumas
etapas de seu tratamento, os sintomas reapareceram e só foram embora
depois que o óleo de coco voltou a fazer parte da sua rotina.
Você não precisa perder quem você ama para a Doença de Alzheimer. O
óleo de coco é seu maior aliado. Basta que você una todo o seu cuidado
e carinho ao poder que o óleo de coco tem.
A única coisa daí pra frente que vocês vão querer esquecer são os
momentos difíceis e a tristeza que imperava!


Referências Bibliográficas
1. "Ketone bodies, potential therapeutic uses," RL Veech, B Chance, Y
Kashiwaya, HA Lardy, GC Cahill, Jr., IUBMB Life, 2001, Vol. 51 No.4,
241-247
2. "Ketoacids? Good Medicine?" George F. Cahill, Jr., Richard L.
Veech, Transactions of the American Clinical and Climatological
Association,Vol. 114, 2003.
3. "The therapaeutic implications of ketone bodies: the effects of
ketone bodies in pathological conditions: ketosis, ketogenic diet,
redox states, insulin resistance, and mitochondrial metabolism,"
Richard L. Veech, Prostaglandins, Leukotrienes and Essential Fatty
Acids, 70 (2004) 309-319.
4. "Diminished glucose transport and phosphorylation in Alzheimer's
Disease determined by dynamic FDG-PET," M Piert, et.al., The Journal
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5. "Glucose metabolism in early onset versus late onset Alzheimer's
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25."Fuel Metabolism in Starvation," GF Cahill, Jr., Annual Reviews in
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Atualizado em 05/09/2011

domingo, 11 de março de 2012

O tratamento que as músicas dão às mulheres, através das músicas em décadas diferentes.


Triste realidade


Uma análise da evolução da relação de conquista e do amor

do homem para a mulher,
através das músicas que marcaram época.
Não é saudosismo, mas vejam como os quarentões,

cinquentões tratavam seus amores.

Década de 30:
Ele, de terno cinza e chapéu panamá, em frente à vila onde ela mora, canta:
"Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa! Do amor por

Deus esculturada.

És formada com o ardor da alma da mais linda flor,
de mais ativo olor, na vida é a preferida pelo beija-flor...."

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Década de 40:
Ele ajeita seu relógio Pateck Philip na algibeira,escreve para Rádio Nacional e,

manda oferecer a ela uma linda música:
"A deusa da minha rua, tem os olhos onde a lua, costuma se embriagar.

Nos seus olhos eu suponho,
que o sol num dourado sonho, vai claridade buscar"

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Década de 50:
Ele pede ao cantor da boate que ofereça a ela a interpretação de uma bela bossa:
" Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça.

É ela a menina que vem e que passa, no doce balanço a caminho do mar.
Moça do corpo dourado, do sol de Ipanema. O teu balançado é

mais que um poema.

É a coisa mais linda que eu já vi passar."
---------------------------------------------------------
Década de 60:
Ele aparece na casa dela com um compacto simples embaixo do braço,

ajeita a calça Lee e coloca na vitrola uma música papo firme:

"Nem mesmo o céu, nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não

é maior que o meu amor, nem
mais bonito. Me desespero a procurar alguma forma de lhe falar,

como é grande o meu amor por você...."
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Década de 70:
Ele chega em seu fusca, com roda tala larga, sacode o cabelão,

abre porta pra mina entrar e bota uma melô jóia no toca-fitas:
"Foi assim, como ver o mar, a primeira vez que os meus olhos se

viram no teu olhar....

Quando eu mergulhei no azul do mar, sabia que era amor e vinha pra ficar...."
---------------------------------------------------------
Década de 80:
Ele telefona pra ela e deixa rolar um:
"Fonte de mel, nos olhos de gueixa, Kabuki, máscara. Choque entre

o azul e o cacho de acácias,

luz das acácias, você é mãe do sol. Linda...."
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Década de 90:
Ele liga pra ela e deixa gravada uma música na secretária eletrônica:
"Bem que se quis, depois de tudo ainda ser feliz. Mas já não há

caminhos pra voltar.

E o que é que a vida fez da nossa vida? O que é que a gente

não faz por amor?"
---------------------------------------------------------
Em 2001:
Ele captura na internet um batidão legal e manda pra ela, por e-mail:
"Tchutchuca! Vem aqui com o teu Tigrão. Vou te jogar na cama e te

dar muita pressão!

Eu vou passar cerol na mão, vou sim, vou sim! Eu vou te cortar na mão!

Vou sim, vou sim! Vou aparar pela rabiola! Vou sim, vou sim"!
--------------------------------------------------------
Em 2002:
Ele manda um e-mail oferecendo uma música:

"Só as cachorras! Hu Hu Hu Hu Hu!
As preparadas! Hu Hu Hu Hu!

As poposudas! Hu Hu Hu Hu Hu!"
---------------------------------------------------------
Em 2003:
Ele oferece uma música no baile:
"Pocotó pocotó pocotó...minha éguinha pocotó!
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Em 2004:
Ele a chama p/ dançar no meio da pista:
"Ah! Que isso? Elas estão descontroladas! Ah! Que isso?

Elas Estão descontroladas!

Ela sobe, ela desce, ela da uma rodada, elas estão descontroladas!"
--------------------------------------------------------
Em 2005:
Ele resolve mandar um convite para ela, através da rádio:
"Hoje é festa lá no meu apê, pode aparecer, vai rolar bunda lele!"
---------------------------------------------------------
Em 2006:
Ele a convida para curtir um baile ao som da música mais pedida e tocada no país:
"Tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha!!!

Calma, calma foguetinha!!! Piriri Piriri Piriri, alguém ligou p/ mim!"
----------------------------------------------------------

Em 2009:
Ele encosta com seu carro com o porta-malas cheio de som e no máximo volume:
" Chapeuzinho pra onde você vai, diz aí menina que eu vou atrás.
Pra que você quer saber?
Eu sou o lobo mau, au, au
Eu sou o lobo mau, au, au
E o que você vai fazer?
Vou te comer, vou te comer, vou te comer,
Vou te comer, vou te comer, vou te comer,
Vou te comer, vou te comer, vou te comer"

Em 2010:
Ela o convida para curtir um baile, tomar uma cerveja, ao som da música mais pedida e tocada no país:
"Vou não, posso não, quero não. Minha mulher não deixa não!"
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SERÁ QUE AINDA É POSSÍVEL PIORAR?

PIOROU SIM, 2012 AGORA É A ASSIM ...AI, AI,, SE EU TE PEGO,, DELICIA ...KKKKKKK

sexta-feira, 9 de março de 2012

EULLER: "Queremos receber a diferença salarial anunciada pela Folha de São Paulo e pela Agência Brasil."

SEXTA-FEIRA, 9 DE MARÇO DE 2012


Professor-de-Minas, curso superior, quase 10 anos de casa. Cadê o piso? Cadê os R$ 1.870,00 anunciados pela Folha, ou os R$ 2.200,00 anunciados pela Agência Brasil? Quem vai me pagar a diferença?


Queremos receber a diferença salarial anunciada pela Folha de São Paulo e pela Agência Brasil


Que os jornais, rádios e TVs no Brasil são órgãos de desinformação emanipulação dos de baixo, isso não constitui mais novidade para ninguém. Mas é preciso que eles respondam por aquilo que dizem. Ou que pelo menos façam parecer verdade aquilo que afirmam, para que não sejam desmoralizados de vez, ainda mais.

Nos últimos dias, a grande mídia tem informado para a população que alguns estados não pagam o piso e que outros pagam até mais do que o piso salarial nacional dos educadores. Estranhamente, Minas Gerais está no rol dos que já pagam até mais. De acordo com a Folha de São Paulo, Minas estaria pagando o piso de R$ 1.870,00 para os professores, o que nunca aconteceu por aqui. Já aAgência Brasil, órgão oficial do Governo Federal, foi mais longe: Minas já paga R$ 2.200,00 de piso salarial. Ora, qual desses dois órgãos vai me pagar pela diferença entre o anunciado e o que está no meu contracheque, dedois salários mínimos como remuneração total?

A mesma desinformação acontece com outros estados também. Recebi e-mail da nossa amiga professora Graça Aguiar, coordenadora do Blog S.O.S. Educação Pública, dando conta de que o salário informado para o Rio de Janeiro está muito longe da realidade praticada naquele estado.

Considero uma falta de ética e de respeito para com a população, especialmente a de baixa renda, esta conduta da mídia brasileira, de passar informações sem checar a veracidade da mesma. Não se trata apenas de má vontade, não, mas de desinformação deliberada, de má fé mesmo. Ou alguém acredita na ingenuidade dessa gente?

No caso do piso, vamos esclarecer algumas coisas pela milésima vez, para que, quem sabe, fazer chegar ao conhecimento de algum jornalista ou editor da grande mídia, com um pouco mais de coragem ou sensibilidade, sobre o que se passa de verdade. Antes, contudo, um parêntese: durante a nossa greve de 112 dias, falei com um jornalista da Folha de São Paulo por telefone. Graças a um colega que me colocou em contato com o mesmo. Fiquei vários minutos passando detalhada e pacientemente todos os esclarecimentos sobre a nossa situação.Ele não publicou uma linha sequer do que eu falei e acabou aparecendo uma matéria com o mesmo perfil dos jornais mineiros, que abrem grandes espaços para o governo e publicam algumas linhas da versão dada pelo sindicato. Depois o jornalista me enviou um e-mail se desculpando, dizendo que tudo o que ele conseguiu publicar foi aquela matéria. Ou seja: nada. Mas, voltemos ao piso.

A primeira coisa que os jornalistas precisam decorar (decorar, já que esperar que consultem a legislação seria exigir muito), em matéria de piso salarial dos educadores, é que se trata de uma política nacional de valorização dos educadores, queconsta da Carta Magna do país desde 1988, como forma de cumprir a determinação de oferecer educação de qualidade pública de qualidade para todos. Vinte anos depois, portanto em 2008, o congresso nacional (minúsculo mesmo, pois nenhum poder deste país está merecendo tratamento maiúsculo) aprovou uma lei federal, a11.738, com os seguintes pontos essenciais:

1) o piso salarial é vencimento básico, não incluindo, portanto, as gratificações percebidas pelos educadores. Cinco desgovernadores tentaram alterar esse artigo, ingressaram com a ADI 4167 junto ao STF, reivindicando pagar o piso como remuneração total (desenhando: remuneração total é igual à soma de vencimento básico com as gratificações). O STF, interpretando a lei federal, decidiu que piso é vencimento básico, e não remuneração total.

O que foi que fizeram os governos estaduais, incluindo o de Minas Gerais? Somaram o vencimento básico existente com as gratificações conseguidas ao longo dos anos pelos educadores (biênios, quinquênios, pó de giz, etc) e com essa soma salarial - remuneração total, como já desenhei acima -, dizem que já atingem o valor mínimo do piso proporcional.

Ou seja: os governos estão na ilegalidade, e é isso que a grande mídia deveria dizer com todas as letras. E é isso também que oMinistério Público, como fiscal da lei, na teoria, pelo menos, deveria fazer: denunciar estes governos e ingressar na justiça contra eles. É isso também que o próprio governo federal, ciente das realidades regionais, deveria fazer: intervir nos estados que não cumprem a lei federal e ingressar com ADIs pedindo a anulação das leis estaduais que descumpriram a lei federal.Nenhum deles fez nada disso, o que constitui um complô contra os educadores, contra a Educação pública e contra a população de baixa renda, que precisa e tem direito à Educação de qualidade.

2) o piso deve ser implantado nas carreiras, e os governo deveriam fazê-lo até dezembro de 2009. Tiveram dois anos de prazo para aplicar o piso na carreira existente nos estados, ou criar planos de carreira, onde não houvesse. Os governos não fizeram nada disso. Alguns estados continuam sem aprovar o plano de carreira. Outros, como Minas Gerais, que tinha um plano de carreira em vigor desde 2004, alterou este plano apenas para os educadores (até então a estrutura dos planos de carreira era comum a todos os servidores do estado) para escapar de pagar o piso. O governo burlou a lei federal, alterando o plano de carreira estadual para esvaziar o conteúdo da lei maior.

Mais ou menos como se a lei federal determinasse que o salário mínimo fosse de R$ 1.000,00 e que não pudesse incluir, neste salário, o vale transporte, o auxílio alimentação, o cafezinho que o sujeito toma em serviço, etc.; mas, os governos, ao arrepio da lei, baixassem leis municipais ou estaduais dizendo que nas suas respectivas regiões o salário mínimo seria a soma de tudo: salário pago + auxílio transporte + vale gás + bolsa família paga a um parente de quinto grau + auxílio reclusão pago ao neto do servidor + salário desemprego que o sujeito recebeu há 10 anos atrás, etc. Enfim, com estes artifícios absolutamente ilegais e imorais, qualquer governo atinge qualquer valor nominalmente. Foi isso o que fez Minas Gerais contra os educadores, aplicando-nos um calote. E é isso que outros estados - Goiás, Ceará, Santa Catarina, Alagoas, etc., etc -. fizeram, sem que nada lhes aconteça.

3) o piso salarial será reajustado em janeiro de cada ano, pelo valor do aumento do investimento aluno ano, pelo FUNDEB. Este reajuste tem ficado acima da inflação, já que o chamadocusto aluno ano, de tão baixo que estava, para que se recuperasse minimamente, deveria passar por reajustes um pouco acima da inflação. Para se ter uma ideia, este ano, com o reajuste de 22,22%, o custo aluno ano está na casa dos R$ 2.000,00. Ou seja, investe-se, por ano, com cada aluno matriculado, cerca de R$ 2.000,00 apenas, quantia esta que deve dar para pagar os salários dos servidores (professores, cantineiras, porteiros, diretores, supervisores, secretários de escola, etc.) durante todo o ano, e ainda investir na reforma e construção de escolas, na compra de equipamentos e manutenção de todos os espaços e equipamentos das escolas do ensino básico. Na média, os governos investem apenas R$ 166,70 por mês para cada aluno matriculado. E os governos - todos eles, sem exceção - ainda têm a cara de pau de dizerem que a Educação é prioridade e que estão preocupados com essa área (ou com a Saúde pública, ou com a moradia, etc). Poupem-me, senhores!

Como os governos, como o de Minas, alteraram as leis estaduais, criando um salário único com a soma de vencimento básico e as gratificações existentes (vide desenho falado que fiz acima), o valor total da remuneração paga fica artificialmente acima do piso salarial. Ainda mais que a lei federal abriu a brecha, permitindo que os governos pagassem de forma proporcional à jornada praticada. Em Minas, paga-se um valor total (que não é piso) e ainda por cima de forma proporcional à jornada de 24 horas. E com essa magia, o governo diz que paga até mais que o piso, o que é uma falácia, uma ficção, um engodo. Minas não paga o piso, ponto. Nem Minas nem os outros estados. Além disso, não aplica o reajuste anual do piso, pois a remuneração total ficou acima do valor mínimo do piso proporcional do MEC.Na prática, os educadores mineiros - e de todo o país - não foram beneficiados em nada com a lei do piso. Pelo contrário: perdemos a nossa carreira!

4) Finalmente, os governos deveriam aplicar um terço da jornada de trabalho às atividades extraclasse, ou seja, fora da sala de aula. Os governos não estão cumprindo essa regra, mais essa, aliás. E sequer pagam aos professores pelo tempo extra trabalhado em sala.

Em suma, são estes os pontos que os grandes jornais escondem da população. As próprias entidades sindicais contribuem com isso, quando poupam o governo federal de uma responsabilidade compartilhada que lhe cabe. Se são os estados e municípios que praticam a ilegalidade de não pagarem o piso, o governo federal é cúmplice desta ilegalidade praticada, e deveria responder judicialmente por isso, por omissão, por prevaricação, por cumplicidade de quadrilha com os outros entes federados. Pois, a responsabilidade compartilhada para pagar o piso é outro ponto essencial na lei do piso, e na própria legislação federal voltada para a educação básica. A política educacional não é uma responsabilidade isolada deste ou daquele governo estadual, mas nacional.

Portanto, os profissionais da Educação do Brasil não recebem o piso salarial por irresponsabilidade e ilegalidade dos poderes constituídos - todos eles - das três esferas, que se unem para retirar dos profissionais da Educação e da população pobre este direito assegurado na Carta Magna, de um ensino público de qualidade. Ao não pagarem o piso e não aplicarem uma política de valorização dos educadores, os governos estão apostando, de forma compartilhada, na destruição do presente e do futuro de milhões de brasileiros.

Não queremos saber de pré-sal, como tem prometido o ministro do MEC. Até lá já estaremos mortos ou aposentados e a Educação pública no Brasil já estará totalmente sucateada. Por que ele não propõe o pré-sal para financiar o superávit primário, que paga bilhões de reais anuais para poucas e ricas famílias? Por que eles propõem, apenas para os de baixo, estas políticas indecentes, sempre para o futuro, para o amanhã, para as calendas gregas?

Finalmente, as entidades sindicais, atreladas ao governo federal, convocam greve de três dias para criticar apenas os governos estaduais e municipais. Não contem comigo. Querem brincar de fazer protesto, estou fora. Tratem a nossa luta com mais seriedade e digam a verdade para a população brasileira. Digam em alto e bom som que os governos estão enganando a população, que não querem pagar o piso, que a justiça, o MP, os legislativos, a grande mídia, são todos cúmplices destes governos (federal, estaduais e municipal), e quesão todos inimigos do povo pobre.Não querem investir adequadamente em Educação, Saúde e moradia, para que sobre mais recursos para os ricos, para os amigos dos políticos profissionais, para a elite cínica que partilha os recursos arrecadados com o suor do nosso trabalho, deixando-nos as migalhas. Proponham a federalização da folha de pagamento - até como resposta aos governos estaduais e municipais que dizem que não têm recursos para cumprir a lei do piso - e proponham uma greve bem organizada, nacionalmente, e por tempo indeterminado, com o envolvimento da comunidade, e aí sim, terão meu integral apoio.

Fora disso, é a enganação, o pão e circo, para manter a roda rodando sobre as nossas cabeças.

Um forte abraço a todos e força na luta! Até a nossa vitória!

***