quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Euller: Movimentos Sociais contra política de choques neo-liberais e "Governo mineiro aplica choque de confisco salarial."

QUINTA-FEIRA, 6 DE OUTUBRO DE 2011

Contra as políticas de choque neoliberais, os movimentos sociais reocupam as ruas em protesto. Em Minas e no mundo!


Contra as políticas de choque neoliberais, os movimentos sociais reocupam as ruas em protesto. Em Minas e no mundo!


De Minas para o mundo e do mundo para Minas, o mesmo recado para as elites dominantes: tremei-vos, porque não abriremos mão dos nossos interesses de classe!


No Oriente Médio, frente às ditaduras ligadas ao domínio do petróleo em aliança com os países imperialistas, que se unem para excluir a maioria pobre da população, grandes massas foram às ruas e continuam mobilizadas. Já derrubaram ditadores, embora nem sempre isso represente a vitória dos de baixo, sobretudo quando as mobilizações são canalizadas para uma mera troca formal de tiranos. Mas, o aprendizado decorrente das mobilizações populares seguramente abre caminho para conquistas políticas e sociais em favor da maioria pobre da população.

Na Europa, ante à crise dos países ricos e as medidas de choque de gestão neoliberais, sempre contra a Educação pública, contra a saúde pública, contra as políticas de seguro social, milhares de pessoas saem as ruas em protesto. Na Espanha, na Grécia, na Itália, só para citarmos alguns poucos exemplos. Também nos EUA, superpotência militar quebrada, que se sustenta pelas práticas de invasão a outros países, além da imposição de políticas comerciais e financeiras imperialistas, crescem as mobilizações de protesto contra o desemprego e o corte nas áreas sociais.

Aqui na América Latina, bastaria citar os exemplos da Argentina, onde os movimentos sociais jamais abandonaram as ruas, e do Chile, onde os estudantes, com gigantes mobilizações arrastaram para a luta toda a população dos de baixo contra as políticas educacionais mercantilizadas, mantidas desde a época do ditador Pinochet.

O que é comum acontecer por aqui, no Brasil, com as políticas neoliberais de choque de gestão praticadas pelatotalidade dos governos estaduais e federal, por lá, nos países ricos em crise - EUA e Europa -, tais medidas tendem a acentuar-se. Para os de cima, tanto nos países tidos como pobres, quanto nos chamados países desenvolvidos, a prática é a mesma:impor cortes e confiscos contra os de baixo para salvar os privilégios, os altos lucros do grande capital, do agronegócio, e a reprodução do capitalismo em crise.

Não há como prever até quando a humanidade suportará as crises sistêmicas deste perverso capitalismo, sem buscar alternativas que transcendam a este sistema. Minha cota de profecia já se esgotou faz um bom tempo. O meu lema, faz um bom tempo, é o mais responsável e pé no chão possível: vivo o momento e não abro mão dos nossos interesses de classe, da classe a que pertenço, que é a classe dos de baixo, dos assalariados - incluindo os sem-salário por desemprego, ou por corte de salários - dos sem-terra, dos sem-teto,dos educadores de Minas e do Brasil.

As elites montam as suas estruturas de poder para nos esmagar - como pudemos sentir na própria pele aqui em Minas Gerais, por ocasião tanto damaravilhosa greve dos 47 dias em 2010, quanto da heroica greve dos 112 dias agora em 2011. Tenho orgulho de ter participado destas duas greves (entre outras) com grande intensidade e entrega, ao lado demilhares de valentes colegas abnegados, profissionais sérios e dedicados à causa da Educação pública e intransigentes defensores dos nossos interesses e direitos comuns.

A nossa luta é parte integrante e indissociável da luta que acontece com outros movimentos aqui no Brasil e também no mundo. Lutamos contra inimigos comuns, que se unem para nos massacrar. Facilmente eles se uniram para tentar inviabilizar a Lei do Piso nacional, com a famigerada ADI 4167. Em seguida, vêm aplicando os mesmos receituários para fugirem do cumprimento das leis vigentes no país.De Santa Catarina, passando por Minas Gerais, até o estado de Ceará, observou-se a mesma conduta: a aplicação do piso fizera pelo avesso, com a tentativa de rasgar os planos de carreira, tornando praticamente sem efeito as poucas vantagens do piso salarial nacional, aguardado pacientemente pelos educadores há 23 anos - desde a Carta Magna de 1988.

Em todos os lugares observou-se também a mesma articulação entre os poderes constituídos e seus aliados para tentar minar a luta dos educadores: a mídia comprada sendo usada sistematicamente contra os movimentos sociais; a justiça considerando sempre legal cortar salários e decretando a ilegalidade ou abusividade das greves - e com isso cassando este direito constitucional garantido aos trabalhadores; e os legislativos completamente submissos à vontade dos governantes de plantão.Uma republiqueta de quinta categoria com status de coisa séria.

Da nossa parte, dos de baixo, embora tenhamos construído nossos instrumentos de luta e forjado uma difícil unidade regional, temos falhado na tarefa de construção de uma mobilização nacional, para brigar com mais força pelos nossos direitos. Nossas lutas, heroicas, têm acontecido isoladamente, apesar de lutarmos por interesses comuns, e neste caso, pelo cumprimento de uma mesma lei federal, a Lei do Piso. Não basta as declarações e moções de apoio das entidades sindicais nacionais, ou mesmo a vinda de dirigentes nas assembleias da categoria, aqui ou acolá. Era necessário que fizéssemos um calendário de mobilização nacional, objetivando a construção de umprograma comum: um plano de carreira nacional para todos os educadores, com a implantação do piso, jornada de trabalho comum, tempo extraclasse podendo chegar a 50% da jornada, política de evolução na carreira, com valorização do título acadêmico e do tempo de serviço, política de formação continuada, etc.

Mas, esta unificação nacional esbarra em interesses ligados tanto aosgovernantes regionais, que não querem abrir mão das verbas da Educação, quanto ao governo federal, prejudicando a construção de uma real e desejável política nacional para os educadores do ensino básico.

Mas, apesar desses entraves, as mobilizações que aconteceram em mais de dez estados, com greves pipocando de forma simultânea ou não,são uma prova viva de que a categoria dos educadores renasceu para uma luta que não tem volta. É vencer, ou vencer. Não aceitaremos mais ser os grandes sacrificados em nome dos mais variados motivos alegados cinicamente pelas elites dominantes: que a crise vem aí, que é preciso respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal, que o mundo vai acabar após a Copa de 2014, etc.Que eles cortem dos de cima, e parem de tocar nos nossos direitos. Não abrimos mão de salários mais justos, do nosso piso na carreira, e de outros interesses de classe.

Minas e o mundo estão unidos na luta comum contra os muitos choques de gestão impostos pelas elites contra os de baixo para salvar os privilégios dos de cima. Somos a maioria,produzimos as riquezas do mundo, e não podemos abrir mão da parte que nos cabe, que não é a cova, mas uma vida digna para todos os de baixo.

Um forte abraço a todos e força na luta! Até a nossa vitória!

TERÇA-FEIRA, 4 DE OUTUBRO DE 2011

Governo mineiro aplica choque de confisco salarial de R$ 2,66 bilhões nos educadores mineiros em 2011. E o MEC segue a mesma política de confisco



Governo mineiro aplica choque de confisco salarial de R$ 2,66 bilhões nos educadores mineiros em 2011. E o MEC segue a mesma política de confisco.



Quem disser que a nossa heroica greve de 112 dias não se justificou, é porque está completamente ignorante acerca da realidade da Educação pública em Minas e no Brasil; ou é porque joga no time do governo. Não há meio termo. Em Minas Gerais, por exemplo, à luz das leis vigentes no país e no estado, o governo aplicou, em 2011, um duplo choque de confisco salarial pra cima dos educadores. E o MEC não ficou para trás nessapolítica de desvalorização dos educadores e da Educação pública básica, como veremos a seguir.

Desde 2008, o governo de Minas anunciara em comunicado oficial para os educadores, que a partir de 2010o estado teria, mediante cumprimento da Lei do Piso já aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente, que pagar o piso enquantovencimento básico na carreira dos profissionais da Educação. E que isto teria um custo adicional na folha de pagamento de pessoal de cerca de R$ 3,1 bilhões. Como não aplicou o piso em 2010, ao atualizar este valor para 2011, o governo reconheceu que se pagasse o piso proporcional do MEC pelo valor atualizado de R$ 1.187,00, o custo adicional chegaria a R$ 3,7 bilhões.

Como o custo total do subsídio foi de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, o governo economizou, nas costas dos educadores, algo próximo de R$ 2,3 bilhões - o equivalente a quase duas cidades administrativas. Mas, a garfada no bolso dos educadores não para por ai. Quando o STF deu ganho de causa aos educadores, rejeitando afamigerada ADI 4167 impetrada porcinco desgovernadores (SC, RS, PR, MS e CE), e considerando o piso enquanto vencimento básico, o governo de tudo fez para manter os servidores da Educação no sistema do subsídio. E para isso, praticou mais um ato de confisco sobre os educadores:reduziu ilegalmente a remuneração de 153 mil educadores que voltaram para o antigo sistema remuneratório, composto de vencimento básico e gratificações - mudança esta facultada pela própria lei que criara o subsídio.

A partir de junho de 2011, todos os 153 mil educadores que optaram pelosistema de VB (Vencimento Básico)retornaram ao salário de dezembro de 2010, quando, em janeiro de 2011, havia sido aplicado um reajuste salarial aprovado em junho de 2010,com previsão orçamentária para tal reajuste para todos os servidores da Educação.

Este novo confisco representa uma nova garfada no bolso dos educadores na ordem de R$ 360 milhões, considerando a redução salarial média de R$ 300 mensais para 153 mil educadores entre junho e dezembro de 2011, mais o 13º salário. Isto sem falar no prêmio de produtividade, que écalculado com base na remuneração de dezembro do ano anterior, e queresultará em mais perda em 2012, caso este prêmio, erroneamente chamado de 14º salário, seja mantido até lá.

Ao todo, os educadores de Minas sofreram um choque de confisco na ordem de R$ 2,66 bilhões, sem computar a perda com a gratificação de produtividade do ano seguinte,além do corte salarial por ocasião da nossa legítima e legal greve de 112 dias.

A pergunta que fazemos aqui é: considerando que os educadores tenham sofrido confisco contrariando as leis federais (a do Piso e a Carta Magna, que proíbe a redução salarial) e estaduais (a que proporcionou oreajuste salarial em 2011 com previsão orçamentária para tal e a do plano de carreira), como ficam o MP estadual, a Justiça e a mídia que nada dizem ou fazem para exigir o reparo destas perdas? Outra pergunta: tais perdas não podem ser consideradas irreparáveis? Pois, em função delas, somadas aos cortes salariais em plena vigência de uma greve legal, foram ou não provocados enormes prejuízos aos educadores?Muitos tiveram que fazer empréstimos bancários, outros perderam o crédito na praça, sem falar da situação constrangedora de profissionais empregados, porém pedintes, além dodesgaste psicológico e emocional para milhares de famílias de educadores e estudantes.

Tudo isso acontecendo, enquanto o governo despejava gastos com campanhas publicitárias difamatórias contra os educadores; além dos gastos com os substitutos, a maioria não habilitada para lecionar, e que agora transita sem o que fazer nas escolas, recebendo remuneração superior aos verdadeiros profissionais que entraram em greve.

Ora, isto demonstra o quanto a estrutura de poder em Minas - governo, legislativo, judiciário, procuradoria da Justiça e mídia comprada - representa a negação dos anseios e dos interesses da grande maioria da população mineira e brasileira, especialmente aos de baixo. Que precisam de uma boa escola pública de qualidade, o que não se alcançará sem a devida e real valorização dos educadores, com salários dignos, condições adequadas de trabalho e política séria de formação continuada. Além da Educação, a população de baixa renda precisa também de saúde pública de qualidade, saneamento, segurança emoradia, etc. Sobre este último, aliás, o que temos assistido é a constanteameaça de despejo de ocupações como a Dandara, onde centenas de famílias construíram uma comunidade digna, que deveria ser protegida pelo estado, e não ameaçada de invasão por Batalhão de Choque da PM, com o respaldo de um judiciário, com raras exceções, submisso à vontade dos poderosos.

Ora, esse quadro precisa ser repensado e mudado urgentemente.Há uma inversão total de valores, de prioridades, quando o resultado do esforço coletivo da sociedade, especialmente dos trabalhadores de baixa renda, é canalizado para o benefício de poucos: banqueiros, empreiteiros, agronegócio, políticos profissionais, chefes das altas hierarquias dos três poderes, empresários da grande mídia e demais amigos do rei.

Não é de se estranhar que nunca sobre dinheiro para os de baixo, como os educadores de Minas, dada à sanha dos de cima em abocanharem tudo quanto puderem, geralmente avançando em cima dos interesses e direitos dos de baixo. Há recursos para a Copa do Mundo - garantem o governador do estado e a presidenta da República -, mas não há recursos para pagar o piso salarial nacional, que é lei federal em vigor desde 2008.

Mas, se Minas Gerais dá este péssimo exemplo para o Brasil e para o mundo,o MEC e o governo federal não ficam atrás. Já no cálculo do valor do piso, entre 2009 e 2010, fomos garfados em muitos bilhões, quando o valor que deveria ser considerado era o de R$ 1.597,00, de acordo com os cálculos dos técnicos da CNTE. Contudo, o MEC, respaldado pela AGU - Advocacia Geral da União -, considerou um outro valor, o de R$ 1.187,00 para o profissional com ensino médio para a jornada de até 40 horas para o ano de 2011.

Contudo, em 2012 tudo indica que seremos novamente garfados no plano federal. Os meus cálculos iniciais, realizados entre abril e maio deste ano, apontavam, com base nas portarias do MEC que definem os valores do custo aluno entre 2010 e 2011, que o reajuste em janeiro de 2012 seria da ordem de 22%. Agora, já se fala em um reajuste de 16,6%, o que elevaria o valor do piso para R$ 1.380,00 em 2012, quando o correto, tomando como base o valor do piso do MEC, seria um reajuste que elevaria o piso para R$ 1.450,00. Esta pequena diferença de R$ 70,00 representa, para os 3 milhões de educadores do Brasil, considerando os 13,33 meses de salários (12 + 13º + 1/3 de férias), uma soma total de confisco na ordem de R$ 2,8 bilhões - quase três vezes o valor que o governo federal pretende disponibilizar para supostamente ajudar estados e municípios a pagarem o nosso piso.

Em suma, é com o confisco dos nossos direitos que eles patrocinam campanhas supostamente para nos ajudar; que financiam campanhas milionárias na mídia; que fazem obras faraônicas; que se dão ao luxo de contratarem um segundo professor sem habilitação nas escolas de Minas, enquanto cortam os nossos salários e nos sonegam o piso salarial a que temos direito.

Quando sabemos destes fatos, a pergunta que eu faço, agora não mais à autoridades, mas aos colegas educadores, aos alunos e aos pais de alunos é: a nossa heroica greve de 112 dias foi justa e necessária ou não? E se precisarmos cruzar os braços novamente, será por uma razão justa, legítima e legal ou não?

Que o governo de Minas e do Brasil aprendam a nos respeitar, se não desejarem conviver com greves cada vez mais fortes e extensas, com amplo apoio popular.

Um forte abraço a todos e força na luta! Até a nossa vitória!

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terça-feira, 4 de outubro de 2011

VACINA CONTRA CÂNCER DE PELE E RINS



Boa Notícia... Repassem !

ESSA EU REPASSO COM MAIOR PRAZER, E ESPERO QUE VOCÊ FAÇA O MESMO, REPASSE A TODOS OS SEUS CONTATOS

Vacina anti-câncer RINS E PELE

Boas notícias são para partilhar.
Já existe vacina anti-câncer (pele e rins). Foi desenvolvida por cientistas médicos brasileiros,uma vacina para estes dois tipos de câncer, que se mostrou eficaz, tanto no estágio inicial como em fase mais avançada.
A vacina é fabricada em laboratório utilizando um pequeno pedaço do tumor do próprio paciente. Em 30 dias está pronta, e é remetida para o médico oncologista do paciente.
Nome do médico que desenvolveu a vacina:José Alexandre Barbuto
Hospital Sírio Libanês - Grupo Genoma.
Telefone do Laboratório: 0800-7737327 - (falar com Dra. Ana Carolina ou Dra.. Karyn, para maiores detalhes)

www.vacinacontraocancer.com.br
Isto sim é algo que precisa ser repassado..........
Alguém pode estar precisando !!!!!
Por favor, divulguem esta vitória da medicina genética brasileira!!!!
R E P A S S E M

Maria Auxiliadora de O. Benevides
COESHP / DIRPGD / DGRP / SAIS
Secretaria da Saúde do Estado da Bahia
(71) 3115-4348 / 4243

Euller:"O dia em que o chão de Minas tremeu mais forte."

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O dia em que o chão de Minas tremeu mais forte













Vídeo que recebi por e-mail


O dia em que o chão de Minas tremeu mais forte

Em compasso de espera, enquanto a comissão tripartite discute e negocia o nosso piso e outros direitos dos quais não abrimos mão - eu não abro mão de um centavo sequer para este governo e para qualquer grupo máfio-econômico - vamos relembrando aqui, aos poucos, um pouco de alguns momentos que marcaram a história recente de Minas e do Brasil. Uma história contada e vivida por nós, educadores em greve de Minas e apoiadores. Na quinta feira-feira o governo de Minas trará a resposta aos problemas emergenciais da categoria: pagamento dos salários cortados, anistia total aos grevistas, reposição das aulas, anulação das exonerações dos diretores e vice-diretores que entraram em greve. No dia 08 tem reunião do Comando Estadual de Greve. E no dia 10, nova reunião do grupo tripartite para discutir o piso salarial nacional. Enquanto isso, vamos relembrando os momentos da nossa batalha...

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Durante os 112 dias da nossa heroica greve, houve vários momentos de grande mobilização popular e também de ações ousadas, que despertaram a atenção de toda a população mineira e também nacional - e às vezes até no cenário internacional. Tanto na Capital, quanto no Interior, dificilmente passava uma semana sem uma ação direta e organizada pelos educadores em greve. Da caça ao governador, passando por ocupações de rodovias, passeatas, procissões e participação em atos, como o Grito dos Excluídos.

Mas, houve um dia, especificamente, que o chão de Minas balançou mais forte. Trata-se do dia 26 de setembro, um dia antes da suspensão da nossa paralisação.

Os dias que antecederam a esta data já haviam sido marcados por grandes turbulências em Minas Gerais. A ALMG estava ocupada por dezenas de educadores em greve e apoiadores, que lá montaram barracas e iniciaram uma vigília que só terminou com a suspensão da greve, no dia 27. Nestes dias, repercutiu em todo o país o episódio do assessor do líder do governo na Assembleia Legislativa, que teria dito a infeliz frase, gravada e reproduzida pela TV Record e pela Internet: "Se eu ganhasse R$ 712 eu ia ser servente de pedreiro".

Naqueles dias também havia acontecido a ocupação em frente à garagem da ALMG logo pela manhã, impedindo a entrada dos deputados. Para lá se dirigiu o Batalhão de Choque da PM, fato noticiado pela emissora de TV mencionada, já que as demais, ao que parece, nunca pautavam coberturas jornalísticas para os locais onde o chão de Minas tremia. Quem sabe eles têm vertigem à tremura do chão?

Mas, na madrugada do dia 26, o nosso blog já havia anunciado que grandes movimentações estavam previstas. Na Praça da Estação, ocorreria um encontro entre estudantes de universidades, pais de alunos, estudantes da rede estadual, e outros movimentos sociais, entre os quais os sem-terra e os sem-teto, além dos educadores em greve. A mobilização aconteceu, e da Praça da Estação centenas de lutadores sociais marcharam pelas ruas centrais de BH até a Praça Sete, em mais uma manifestação de apoio à greve dos educadores mineiros.

Lá da Praça Sete, recebo telefonemas de dois pontos diferentes: num deles, encontrava-se o tenente NDG Alex, acompanhado pelo 3º Sargento NDG Carlinhos do Machado, por volta das 17h29, que informava: o ato estava se realizando com boa presença de apoiadores; num outro ponto, o pai de aluno Paulo Roberto, NDG apoiador do movimento dos educadores, também nos dava conta de que o ato havia ocupado um dos quarteirões da Praça Sete.

Enquanto isso, na ALMG o clima esquentava. Várias coisas aconteciam naquele espaço. Na entrada daquela Casa, estavam os dois educadores Marilda e Abdon em greve de fome desde o dia 19. Na fachada voltada para o pátio, mais de uma dezena de barracas estavam montadas. Além disso, durante todo o dia acontecera o seminário intitulado "Sala escura da tortura", promovido pelo Instituto Helena Greco (IHG) com o apoio da Comissão de Direitos Humanos da ALMG, coordenada pelo deputado Durval Ângelo. Este acontecimento acabou se transformando num palanque aberto para se denunciar a realidade das escolas de Minas e a situação vivida pelos educadores no estado.

Durante várias horas da manhã e da tarde a TV Assembleia acabou transmitindo ao vivo os debates e as falas de dezenas de educadores em greve que lá se encontravam, de várias regiões de Minas. Foram depoimentos importantíssimos, que mostraram a verdadeira face da Educação e o quadro das escolas em Minas, especialmente no Norte de Minas, mas não somente, onde as escolas e as condições de trabalho são as piores. Foi uma aula de cidadania e acabou mostrando tudo aquilo que a grande mídia, que deveria zelar pela liberdade de imprensa, esconde da opinião pública.

E aqui tenho que confessar um pequeno infortúnio pessoal. Pretendia, desde a noite anterior, participar pessoalmente de todas essas atividades. Já havia combinado com o tenente NDG Alex que nos encontraríamos na Praça da Estação. Enquanto isso, o comandante NDG João Martinho caminharia para a ALMG ao encontro de outros guerreiros. O capitão NDG Rômulo já se preparava para participar dos eventos, mobilizando parte dos seus contatos. E a nossa tropa foi assim distribuída, uma parte daqui, outra dali, sempre de forma horizontal; uma parte iria mais cedo, a outra mais tarde, e assim por diante. Ocorre que no domingo eu passei o dia com uma terrível dor de garganta, com todo sintoma de que poderia evoluir para uma gripe. Clima seco, muita poeira, garganta irritada, acumulada desde os gritos de guerra na Praça da Liberdade e a fumaça das bombas de efeito imoral ali lançadas - e que atingiram, respectivamente, a perna e o braço dos tenentes NDG Alex e Flávio -, passando pelas assembleias, especialmente a da semana anterior, na qual ficamos por quase três minutos gritando, em coro: "Fora Anastasia, fora ditador". Somando-se ao fato de estar atravessando as madrugadas abastecendo o blog com informações e análises, enfim, fato é que amanheci muito mal de gripe e de garganta.

Julguei que deveria reservar (e recuperar) energia para a assembleia que aconteceria no dia seguinte, 27. Além disso, mesmo gripado e com a garganta inflamada, seria possível prestar uma pequena contribuição por meio do nosso blog. E de fato, isso acabou acontecendo.

Por volta de 14h39, recebo o telefonema do comandante João Martinho, informando que cerca de três dezenas de educadores em greve haviam se acorrentado no plenário principal da ALMG. Neste local acontecia o debate sobre a tortura no Brasil e em Minas e era transmitido via TV Assembleia. Colocamos o link desta emissora que transmite ao vivo pela Internet e ao mesmo tempo publicamos, com exclusividade até aquele momento, sobre o novo acontecimento: a ocupação do plenário principal pelos acorrentados. Entrei em contato com o nosso valoroso camarada de luta Nelson Pombo, NDG da área de filmagem, mas ele não conseguiu enviar as imagens ao vivo, como acontecera com sucesso por ocasião dos acorrentados do Pirulito da Praça Sete - acontecimento este que teve repercussão internacional.

Assim que a turma que se encontrava no ato da Praça Sete me telefonou eu pedi para que eles se dirigissem para a ALMG quando terminasse a manifestação, para que pudessem prestar solidariedade e acompanhar de perto o desenrolar dos fatos na ALMG.

O tenente NDG Gleiferson Crow, que estava no primeiro momento junto com os acorrentados, mas depois teve que se retirar, filmou e tirou fotos do acontecimento, passando-nos no mesmo dia por e-mail. Até às 19h, mais ou menos, quando encerram os debates do seminário sobre a "sala de tortura", como estava sendo transmitido em canal aberto, nada acontecera aos nossos acorrentados. Contudo, assim que encerraram as transmissões e o debate, começaram as pressões para cima dos educadores acorrentados. Ninguém mais poderia entrar no local, o uso do banheiro fora proibido e aumentaram o ar condicionado ao máximo.

Por volta de 21h26 recebo novo telefonema do comandante NDG João Martinho. Ele dizia que o Batalhão de Choque fora chamado pela direção da ALMG, que o prédio estava cercado e que a qualquer momento eles poderiam entrar para retirar à força os nossos educadores acorrentados. Tratei de divulgar a ameaça no blog e por e-mail e também por telefone, pois a publicidade do ato fazia-se necessária para tentar coibir qualquer violência por parte da polícia do governo.

Já por volta das 21h55 recebi novo telefonema, dando conta de que os deputados Rogério Correia e Elismar Prado estariam no local tentando negociar com o presidente da ALMG uma proposta para os acorrentados. A exigência dos colegas era simples: que o governo retomasse as negociações pelo pagamento do piso e retirasse o projeto de lei da pauta da ALMG, que destruía nossa carreira. Mas, tudo indica que não houvera avanço em relação a estes pontos.

Do lado de fora da ALMG a movimentação era grande. Recebi um outro telefonema de uma combativa educadora NDG de São José da Lapa, que estava ao lado do Frei Gilvander, com quem conversei rapidamente. Ele havia mandado, um pouco mais cedo, por e-mail, uma carta de apoio do líder do MST João Pedro Stédile, ao nosso movimento. Confirmei com ele que havia recebido a carta e que ela fora publicada. Mas, do lado de fora as pessoas não sabiam ainda qual era a situação real dos colegas acorrentados no plenário principal, pois eles estavam isolados.

Consultando a posteriori as estatísticas de visitas ao blog neste dia, constato que entre 17h e 23h deste dia, o blog recebeu uma média de 1.300 visitas por hora, sendo o pico às 22h, com 1.591 pessoas acessadas ao blog.

Pouca gente soube, por exemplo, que o sobrinho do comandante João Martinho, Luis Carlos Martinho, que falecera há alguns meses, fora lembrado pelos colegas acorrentados: "companheiro Luis Carlos, o professor Manoel: presente!" - gritaram todos. Isto eu só fiquei sabendo bem depois, quando um dos acorrentados, colega aqui de Vespasiano, Sô Geraldo, me relatou os fatos.

Na reunião do comando de greve local, que realizamos após a suspensão da greve, com a participação dos colegas de São José da Lapa e Vespasiano, Sô Geraldo pediu que se parabenizasse a firmeza das mulheres educadoras, que participaram de todos os momentos das nossas lutas, inclusive os de maiores sacrifícios, como os dos acorrentados e a na greve de fome. Foi aplaudido por todos. Ele narrou momentos, por exemplo, como na Praça da Liberdade, quando, impedidas pela força policial de usarem o banheiro, as combativas educadoras acorrentadas eram forçadas a fazerem suas necessidades ali mesmo, protegidas por uma faixa de pano sustentada pelos demais acorrentados.

É importante relembrar também que na conversa telefônica que mantive com o Frei Gilvander, entusiasta apoiador da nossa greve, que ele revelara que havia tentado entrar no plenário onde se encontravam os educadores acorrentados. Invocara inclusive a condição de padre e que, tal como assegura a Carta Magna, pedira para fazer um culto para os acorrentados, direito este assegurado até mesmo nos tratados internacionais. Mas, a direção da ALMG e a polícia legislativa não permitiram.

Por volta das 23h17 recebi novo telefonema do comandante Martinho. Ele informara com entusiasmo que haviam conseguido uma importante conquista: o governo concordara em adiar por 15 dias o projeto de lei contra os educadores e abriria negociação com o sindicato ainda na parte da manhã. Esta proposta havia sido feita pelo governo através do deputado Antonio Júlio, que se encontrava naquele momento ao lado de Rogério Correia. Martinho informara ainda que o banheiro fora liberado e que na porta da ALMG era grande o número de pessoas em vigília e em apoio aos colegas acorrentados.

Depois dessa notícia, fiquei mais tranquilo, pois parecia que o Batalhão de Choque não seria acionado para fazer o papel sujo dos governos, tal como aconteceu no Ceará com os nossos colegas educadores, que lutam igualmente pelo cumprimento de uma lei federal - a lei do piso, sonegada pelos governos, daqui e de acolá.

Por volta de 00:30 recebi o último telefonema do dia do comandante. Ele disse que a proposta do governo não estava confirmada ainda, que o ar condicionado continuava ligado no talo, mas que eles estavam negociando com a polícia legislativa a redução do ar e o uso do banheiro. Disse-me ainda que dificilmente o Batalhão de Choque invadiria o local, o que era uma boa notícia, naquelas circunstâncias. Escrevi aqui no blog que manter o ar condicionado no último furo era prática de tortura, já que alguns dos educadores não tinham sequer uma blusa de frio e passariam a madrugada ali, congelados: com fome, com frio e sem poder usar o banheiro.

Parece-me que mais tarde liberaram o banheiro e a água. E no dia seguinte, enquanto a assembleia acontecia, tivemos a notícia de que o governo de fato resolvera negociar uma saída para aquela situação. O que resultou, após 10 horas de exaustiva espera, na assembleia final que decidiu pela suspensão da greve.

No post do dia seguinte, abri o texto com o seguinte título e subtítulo:

"Aécio, Anastasia e Dilma: responsáveis diretos pela dramática situação em que vivemos

Eles têm dinheiro para a Copa do Mundo, para construir cidades administrativas, para o metrô, para os empreiteiros que financiam as campanhas deles, para os altos escalões dos três poderes, para criar cargos comissionados e contratar cabos eleitorais com altos salários, para comprar a mídia... ... mas, eles não têm dinheiro para pagar um salário digno para os educadores!".

E assim terminou aquele dia 26, que começara com a concentração na Praça da Estação, seguida de passeata pelo centro de BH por centenas de educadores e apoiadores e terminara com a ocupação do plenário principal da ALMG por três dezenas de valentes educadores/educadoras. Num dia marcado por greve de fome, vigília, protestos na TV Assembleia, participação nos debates sobre a tortura em Minas e no Brasil, além da guerrilha virtual que não cessou, como nos outros 112 dias. Tudo isso no dia 26 apenas, quando a nossa heroica greve completara 111 dias.

Seguramente os parlamentares, o governo e os nossos representantes, que compõem a comissão de negociação, que ontem se reuniu na Cidade Administrativa lembrarão destes fatos que marcaram a vida e a história de Minas Gerais.

Que eles não se esqueçam que estão lidando com guerreiros e guerreiras do NDG - Núcleo Duro da Greve - que travaram uma batalha de 47 dias em 2010, e outra de 112 dias este ano. E que se preciso for, caso não haja um claro atendimento às reivindicações imediatas - salários em outubro e novembro, além da devolução do que nos foi confiscado em 2011 - e acerca da implantação do piso e na carreira, verão que um filho deste solo não foge à luta: podem esperar que novas batalhas virão!

Para além da comissão que se reúne para negociar nossos interesses, existe, aqui, do lado de fora, um exército de classe, os educadores do NDG e seus aliados, prontos para retomarem o combate, se necessário for.

Um forte abraço a todos e força na luta! Até a nossa vitória!

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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

EULLER:"Imagem do Dia... ...num território chamado Minas Gerais!"

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Imagem do Dia...


Imagem do Dia...
...num território chamado Minas Gerais!

Comentário do Blog: Não se sabe por qual motivo, até hoje a direção sindical não tocou no assunto redução do salário. Houve um violento confisco nos nossos salários quando optamos pelo antigo sistema remuneratório. Confisco este ilegal, imoral e indecente. Existe verba no orçamento deste ano destinada ao pagamento de TODOS os educadores com os valores do subsídio. Como o governo de Minas NÃO CUMPRIU A LEI e não nos pagou o piso em 2011, ele teria, no mínimo, que nos devolver aquilo que nos ROUBOU, que é esta diferença entre o salário reajustado de de 2011 e o salário de dezembro de 2010.

Entre julho de 2011 e janeiro de 2012, data em que supostamente o governo começaria a pagar o piso, e mais o 13º salário - perfazendo um total de oito meses - a perda individual dos 153 mil educadores que optaram pelo antigo sistema remuneratório varia de R$ 2.100,00 a 3.100,00 por cargo. No total, haverá um confisco de cerca de R$ 400 mil dos nossos bolsos - isto apenas em relação aos valores do próprio subsídio que o governo implantou.

Em relação ao piso salarial nacional, a que temos direito, mas ainda não levamos, o confisco foi ainda maior: R$ 2,5 bilhões somente em 2011, que acrescido deste novo confisco, resulta em quase R$ 2,9 bilhões.

Portanto, é importante que os educadores saibam que estamos sendo, neste ano de 2011, duplamente confiscados.

O sindicato tem a obrigação de discutir o piso como prioridade, claro. Mas, se é para pagar o piso somente a partir de janeiro de 2012, não pode o sindicato deixar de tratar destes confiscos aplicados pelo governo no ano de 2011.

Por isso, não podemos abrir mão, de imediato:

1) da imediata devolução da diferença entre o reajuste aplicado em 2011 com a implantação deste famigerado sistema chamado subsídio e o salário de dezembro de 2010. Este reajuste nos pertence, foi pago até junho deste ano e depois cortado apenas para punir aqueles que optaram pelo sistema de VB. Portanto, foi ilegal e imoral a redução salarial - por contrariar a Carta Magna do país, por não poder dar reajuste apenas para uma parte de uma mesma categoria - e pelo teor de punição, castigo, chantagem, contra quem saiu do subsídio;

2) do pagamento de um salário inteiro em outubro e outro em novembro referente aos meses de agosto e setembro, quando estivemos em greve. Não haverá reposição se estes salários não forem pagos antecipadamente, ou regularmente, como deveriam ter sido pagos;

3) do pagamento do tal prêmio de produtividade, a que muitos chamam equivocadamente de 14º (pois ele representa apenas de 60 a 70% de um salário) agora em outubro.

Sem estas condições mínimas, temos que pensar a retomada das mobilizações nas escolas podendo resultar em nova greve ainda este ano.

É importante que o governo saiba que por trás da comissão que negocia nossa vida profissional e o piso, existe agora um NDG, um exército de classe, que não vai aceitar essa situação, e vai mobilizar a comunidade escolar, denunciando a patifaria que se pratica contra os educadores e a Educação pública em Minas.

O Governo de Minas, com os confiscos que aplicou este ano aos educadores, quer pagar:

1) o prêmio de todos os servidores de Minas Gerais,

2) o salário de todos os substitutos, podendo mantê-los até março de 2012;

3) os reajustes do Procurador-geral e do MP, do Legislativo e do Judiciário;

4) a mesada da grande mídia mineira, cada vez mais comprada;

5) além das obras da COPA do MUNDO!

E isso nós não podemos aceitar!

Um forte abraço a todos e um início de semana mobilizando as escolas para novas paralisações e atos de protesto caso o governo não nos atenda!

Força na luta, até a nossa vitória!


EULLER:"O NDG deve estabelecer um programa e um prazo para a comissão de negociação."

sábado, 1 de outubro de 2011

O NDG deve estabelecer um programa e um prazo para a comissão de negociação




O ótimo vídeo acima é uma sugestão da nossa combativa amiga Cristina, do Blog da Cris.




Música "Ando devagar", de Almir Sater, por sugestão da combativa colega Educadora Mineira.



O NDG deve estabelecer um programa e um prazo para a comissão de negociação


Na compreensão do governo, a suspensão da greve tornará tudo mais fácil para que ele imponha sua vontade. Mas, não é essa a compreensão que nós, educadores do NDG - Núcleo Duro da Greve - temos. Demos uma pausa, mas estamos atentos e podemos retomar a greve, caso percebamos que o governo deseja nos enrolar, destruir nossa carreira, roubar o nosso piso. Isso nós não aceitaremos!

Por isso devemos estabelecer um programa mínimo para esta negociação e cobrar prazos para a definição de cada ponto defendido pelos educadores. Existem dois níveis imediatos de reivindicações: um de sobrevivência imediata, e outro de conquista dos nossos direitos na carreira e em relação ao piso.

No primeiro bloco, está a realidade dos educadores em greve, bravos e bravas guerreiras com os quais partilhamos cada momento da nossa heroica greve de 112 dias - que se encontra suspensa, mas que não acabou.

Na segunda-feira, os contracheques de centenas de educadores estarão zerados, por conta da truculência do governo de Minas, que cortou todos os dias de greve, inclusive sábados e domingos, em mais um gesto de desumanidade e crueldade, do que tem sido a característica marcante deste governo até o momento. Além da hipocrisia, claro.

Com dois meses de contracheques zerados - outubro e novembro - simplesmente não dá para sobreviver. Trata-se de uma perda, de um prejuízo irreparável e que não sensibilizou nem o (des) procurador da justiça, que atuou na greve como assessor direto do governador, nem tampouco ao desembargador, que julgou nossa greve abusiva. Diferentemente do que estamos vendo em relação à greve dos trabalhadores dos Correios, quando o magistrado do TST, agindo com independência e idoneidade moral, reconhece que cortar a fonte de sobrevivência dos trabalhadores em greve significa cassar o direito de greve estabelecido em lei federal.

Por isso devemos exigir:

a) imediato pagamento dos salários de agosto na folha de outubro, e de setembro na folha de novembro, sem corte, em folha extra, ainda na primeira quinzena de outubro e de novembro;

b) devolução da diferença entre a remuneração paga até junho de 2011, e o salário de dezembro de 2010, quando o governo, para punir quem optou pelo antigo sistema, reduziu os salários dos educadores, de forma ilegal e imoral. Existe verba no orçamento do estado para este fim;

c) pagamento imediato do tal 14º - que é na verdade 60 a 80 % do salário referente a dezembro de 2010 - ainda em outubro de 2011.

Com relação à reposição das aulas, devemos estabelecer alguns pontos:

1) o governo cortou nosso salário sem negociar a reposição. Deve arcar, portanto, com esta reposição.

2) caso o governo nos pague os meses de agosto e setembro como reivindicamos acima, ou seja, nas folhas de outubro e novembro, temos o compromisso moral de repor estas aulas, pois elas não terão sido cortadas. Já em relação aos meses de junho e julho que o governo já cortou, fica a critério de cada professor aceitar ou não fazer a reposição.

3) neste caso, o governo deve anistiar a todos os educadores em greve, inclusive aos que não quiserem fazer a reposição, já que tiveram (tivemos) nosso salário cortado antes que a reposição fosse negociada. Logo, ao invés de devolver este corte referente a junho e julho aos educadores que não quiserem fazer a reposição, que o governo faça bom uso deste recurso pagando aos substitutos pela reposição aos sábados e feriados.

Outros pontos do programa mínimo para a negociação com o governo:

a) imediata anulação da exoneração dos diretores e vice-diretores que participaram da nossa greve;

b) garantia de férias prêmio para quem tenha este direito, incluindo principalmente os educadores que participaram da nossa heroica greve;

c) nenhuma punição aos colegas que participaram da greve;

Pontos de negociação envolvendo a carreira e o piso:

1) abrir a possibilidade de mudança de sistema remuneratório para todos os educadores - efetivos, efetivados e designados -, a qualquer tempo, podendo migrar de um sistema para o outro, ou vice-versa, de acordo com a conveniência particular de cada servidor;

2) implantação do piso salarial nacional no antigo sistema remuneratório, obedecendo o plano de carreira e os percentuais da tabela salarial em vigor. Que o piso seja implantado na carreira no máximo em janeiro de 2012, com o novo valor do piso estabelecido pelo MEC para aquele ano.

3) o governo de Minas deve apresentar uma planilha de custos detalhada com a implantação do piso de uma só vez em todas as carreiras dos educadores de Minas. Caso necessite complementação da União, poderá fazê-lo, pois em 2012 está previsto aporte de R$1,2 bilhão de ajuda da União para o FUNDEB para os dez estados mais pobres da Federação, incluindo obviamente Minas Gerais;

4) garantir a posse, ainda em 2012, dos diretores e vice-diretores indicados no primeiro semestre de 2011 pela comunidade escolar.

O que faremos caso o governo não nos atenda?

Já na segunda-feira, nesta nova reunião marcada entre governo, sindicato e parlamentares, teremos uma ideia dos rumos desta negociação. Se ficar patente que o governo pretende apenas nos enrolar, o armistício estará suspenso e nossas espadas serão desembainhadas novamente.

De imediato, lançaremos um manifesto a toda a sociedade mineira dos de baixo, denunciando que o governo mineiro, além de não pagar o piso a que temos direito, quer nos submeter a uma situação degradante: trabalhar sem salário (outubro e novembro), além de confiscar recursos que nos pertencem.

Devemos aproveitar o funcionamento escolar regular para convocar os alunos e pais de alunos, além dos educadores, inclusive os que não participaram da greve, podendo, desta feita, se redimirem do erro que cometeram. Neste caso, reservaremos as duas últimas aulas, todos os dias, para uma discussão coletiva da nossa luta, da realidade dramática que vive Minas Gerais e estabelecer estratégias de ação.

Uma dessas ações deve ser um dia paralisação estadual com grande concentração de educadores, alunos e pais de alunos e demais apoiadores na Cidade Administrativa. Seria muito importante colocar 20 mil pessoas naquele local, que fora feito para afastar o poder administrativo-burocrático do contato com a pressão popular.

É importante que os pais e alunos saibam que, se tivermos o apoio de todos, muito provavelmente arrancaremos o que temos direito. E se não tivermos esse apoio com envolvimento de todos, deflagaremos nova greve, pois não vamos continuar trabalhando por mais dois meses sem receber. O governo de Minas mantem dois professores em sala de aula - o titular e um substituto - mas não tem dinheiro para pagar o nosso piso.

Por isso, comecemos a discutir essas questões com os bravos e bravas guerreiros e guerreiras do NDG, para que nos preparemos para novas mobilizações sociais. Claro que o governo terá agora a oportunidade de mostrar que deseja uma trégua mais longa, atendendo as nossas reivindicações. Que são modestíssimas, muito aquém do que merecemos.

Estejamos prontos, portanto, para organizar nossas fileiras e nos preparar para novas jornadas, caso o governo demonstre que continua não nos respeitando.

De imediato, durante a próxima semana, caso não haja qualquer sinalização do governo em atendimento aos nossos pleitos, especialmente no tocante ao pagamento imediato do salário de agosto, agora na folha de outubro, temos que iniciar também uma campanha por arrecadação de alimentos e recursos para ajudar os nossos guerreiros e guerreiras. Esta campanha precisa ser pública, com montagem de barracas em praça pública e a participação de pais de alunos, estudantes e educadores. As aulas continuam, mas no contra-turno todos nós estaríamos envolvidos nessa campanha, dialogando com a comunidade, recolhendo contribuição em alimentos e recursos devidamente registrados por um comando local, e denunciando o governo de Minas para o Brasil e para o mundo.

É importante que o mundo saiba que um dos estados - ou vários - onde acontecerá a Copa do Mundo de 2014, os educadores passam fome, apanham da polícia e não têm sequer os seus direitos respeitados.

Um forte abraço a todos, força na luta e até a nossa vitória!

***

Carta ao Senador Cristovam Buarque


Guaxupé/MG, 30 de Setembro de 2011.

Boa tarde Exmo. Senador Cristovam Buarque!

Obrigado por tudo que V.Exa. tem feito pela educação neste nosso país sem educação!

Sem educação dos governos, dos ministérios públicos, dos tribunais de justiça, e da força policial que não protege os educadores, ao contrário, comete a maior das violências - maior que gás de pimenta, bala de borracha e cassetetes - a humilhação em nível nacional.

Gostaria de lhe pedir encarecidamente, de forma angustiada e sofrida, para que o senhor intervenha por nós Professores de Minas Gerais!

Na forma de discurso no senado, de ofícios, ou qualquer ato seu, mas que venha em nosso auxílio, diante da barbárie que estamos sofrendo com este governo de Minas.

Não quero nem me ater aqui à implantação do nosso Piso Nacional na Carreira, porque vejo, aliás, não vejo mais possibilidades de recorrer a ninguém, nenhuma instituição deste país, porque nenhuma delas nos ouve, nos socorre, nos reconhece. Aqui em Minas Gerais não existe, para nós, nenhuma destas instituições. Para estes, da forma que somos tratados, somos menos que bandidos! Sim porque os bandidos são protegidos, intocáveis e desfrutam de uma verba mensal que faz vergonha nos nossos contra-cheques! E as instituições, os Direitos Humanos, os consideram muito mais que a nós, Educadores que somos! Até acredito que o senhor também esteja sofrendo com esta situação aqui em Minas! Mas por ora, meu pedido é outro!

Me refiro ao fato de nós Professores termos - aceitado um acordo de boa fé com o governo suspendendo a nossa histórica greve - termos voltado às aulas, mas termos que conviver diuturnamente, todos os dias, com aquelas pessoas que se intitulam de "professores", (os tampões) que ocuparam nossos lugares nas salas de aulas durante a greve, e que agora ficam pela escola, passeando, fofocando, sorrindo na nossa cara, comendo a merenda dos alunos - aquela que o nosso digníssimo desembargador de Minas afirma ser o único alimento das crianças dos rincões mineiros - desfilando pela escola, usando a mesma sala dos Professores, e mais ainda, recebendo salário!

Ora, pode-se contratar pessoas desqualificadas para substituir Professores em greve? Não é contra a lei de greve? Se não há dinheiro para pagar o Piso aos verdadeiros Professores, por que haveria para gastar com professores fura-greve sem qualificação para ministrar conteúdos aos nossos alunos com o discurso de prepará-los para o ENEM?

É desumano, é imoral, é muito humilhante para nós Professores, sermos submetidos a este tipo de humilhação, pelo governo! E ainda mais, em meio a tudo isso, este mesmo governador vais às TV's, em todos os canais, e diz estar preocupados com os alunos e pais de alunos, jogando-os contra nós Professores, desfazendo de nossa luta pelo Piso Salarial Nacional na Carreira, que é uma lei federal, que é nosso de direito, mas que todas as instituições mineiras que deveriam zelar pela aplicação dessas Leis, se curvam para servir apenas ao governo. E nós trabalhadores desvalorizados, somos deixados à beira do caminho da justiça e do respeito a dignidade humana!

Como viver assim, eu lhe pergunto? Como? Até quando? Quem vai olhar por nós? Nós estamos sendo mortificados aos poucos, em doses homeopáticas de crueldades e desmoralização por este governante, que, se diz "professor de direito" e que se elegeu com esta bandeira, traindo à todos, todos aqueles que votaram neste senhor
cruel e desprezível!

Até quando? Que mais será preciso acontecer para vermos a justiça dar frutos bons?

Tomando a frase de um grande pensador dos nossos tempos de hoje, o digníssimo e inteligentíssimo Professor Euler Conrado, lutador incansável pelo reconhecimento e implantação do nosso Piso Salarial em Minas, ele diz "parece que em Minas Gerais os magistrados, promotores, juízes e desembargadores, fazem o mesmo curso e estudam pela mesma cartilha...".

A sensação que temos é que estamos dentro de um ovo, em um outro país, que não o Brasil, que não nossa Minas Gerais!

Não são 112 dias de greve e de sofrimento, é muito mais que isso!

Estas pessoas que deveriam zelar pelo cumprimento das leis, não estudaram? Não tiveram Professores, um dia, para lhes proporcionar tudo o que eles têm hoje?

Greve de Fome, balas de borracha, tropa de choque, polícia, gás de pimenta, cassetetes, repressão, sangue, violência, ... isto tudo não deveria, mas ficará para sempre marcado nos livros de história da educação, no futuro, e os historiadores terão que passar estes "conteúdos" aos alunos! E os nomes daqueles que impediram que essa classe sobrevivesse, e os daqueles que impediram que essa classe extinguisse, estarão lá, escritos também, para que todas as gerações futuras rendam as devidas glórias!

Oxalá Deus permita que eles não precisem viver tudo novamente!

Vera Maria da Silva Ribeiro- Guaxupé/MG

Professora - Mestre em Educação
Professora de coração, Mineira,

Brasileira e Educadora